
Eu acompanhei o andamento da contagem de votos da eleição americana a madrugada inteira. E a cada arrepio, de cada vitória democrata em cada estado - principalmente nos inesperados - vinha a pergunta: "Mas o que isso significa pro mundo? Porque isso me atinge, porque todos os canais de todos os países estão varando a madrugada acompanhando este evento, com tanto fervor, com tanto ensusiasmo?!”
A resposta não veio nas horas que decorreram a apuração. Veio ao amanhecer, poeticamente.
Partamos do seguinte nome: George W. Bush.
Este homem destruiu a esperança de muitos cidadãos deste planeta – em seu mandato a condição real de uma mudança na mentalidade da população mundial se esvaiu.
Bush nos fez ver o Oriente Médio sumir em cinzas que escondiam seus prédios, em sangue que manchava seu deserto. Bush nos fez ver o que há tempos não víamos com tal intensidade: uma guerra, uma guerra de verdade. Só que não era uma guerra como o evento era entendido há algumas décadas atrás. Foi uma guerra suja, com uma estratégia gananciosa por trás dela. Com uma gana de poder e de soberania que nos fez ter vergonha da nossa raça. Uma guerra contra um mal que não existe, um mal invisível.
E foram confeccionadas camisas com seu rosto e um nariz de palhaço, queimaram-se bonecos e bonecos representando-o e diversas bandeiras americanas viraram carvão.
Bush, ao nos destruir ironicamente nos renovou. Como bem sabemos, aprendemos somente diante do pavor, do medo, da destruição. Diante de uma espécie de niilismo da moral. Diante do limite, quando vemos que não há mais saída.
Obama não é história só por ser negro, descendente de nigerianos e com sobrenome muçulmano, ou até mesmo por ser um democrata vindo ao poder depois de 8 anos. Obama não é história por grandiosidade. Obama é história por representar uma mudança de mentalidade no país que guiava a economia global, que guiava o mundo. Um país onde não se via mais esperança no que faz mudar - os jovens - , já que os mesmos jovens de que falo estavam mergulhados em uma tremenda apatia política e cultural.
Obama é a projeção de que as coisas podem ser de outra forma. Obama é o expectro de um futuro com cara nova. Obama é o rosto de um possível novo século, de uma possível nova juventude, de um possível novo mundo. E é justamente com isso que esta figura nos permitiu novamente sonhar.
“Maio de 68”? Não sabemos... Talvez nada mude, talvez volte sim essa força transformadora. Mas pelo menos agora, não sabemos, e podemos esperar... Pelo menos podemos esperar com a pergunta: Será?
Um comentário:
eu não sei. o que andei lendo é que o Obama é o democrata mais republicano da história. cristão, formou-se em Harvard, aquela coisa toda...
que o mundo dure mais alguns anos
sucesso com o blog novo :)
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