
O soldado que resguarda o Pantheon de Caxias, em vestes militares verdes, mas visivelmente chamativo em frente ao prédio branco da Central do Brasil, torna-se mais uma pedra no paralelepípedo. Simples hábito, como se a cidade tivesse as árvores e o verde que o camuflam normalmente nas batalhas em matas fechadas.
Uma menina chora no meio da multidão que se dirige ao trabalho e o homem com sua mala em mãos pára diante dela para guardar a carteira dentro do bolso, olhando atentamente para seu traseiro, ao continuar seu caminho, produzindo um contorcionismo de circo.
Começa a chover, a multidão abre os seus garda-chuvas iguais. Um homem carregado deles aparece do além e grita "QUINZE REAIS NA MINHA MÃO PRA ACABAR!". E a menina cai de joelho no chão, confundindo as suas lágrimas com a água da chuva que cai sobre si.
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