domingo, 30 de novembro de 2008


Eu queria ter sido a Greta Garbo. Ter visto ao vivo o Bob Dylan jovem, na minha frente, ter tocado seu cabelo de leve e tê-lo sentido escorrendo entre meus dedos. Queria ter visto Bethânia, sentada no teatro de arena enquanto ela cantava Carcará com seu sorriso ali: primário. Queria ter visto as sobrancelhas quase invisíveis de Liv Ullman. A expressão mítica de Buster Keaton. O cheiro do paletó de Proust. Ter tido meus olhos ofuscados pelas cores da tropicália. Ter-me chocado com as invenções artísticas de Andy Warhol. Com o rock recém-surgido. Com a escrita hipnotizante de Lispector enquanto não tinha existido coisa tão hipnotizante. Ter ouvido a voz de Marguerite Duras dizendo: "J'avais quinze ans et demi". E o Beatles cantar "Something in the way she moves" andando de bondinho elétrico enquanto via a rua passar diante dos meus olhos.

Um comentário:

fernanda disse...

mas você VIVEU tudo isso. aí, na escrita.

e eu compartilhei :)